Martim de Sá: terra de Seu Maneco

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Na isolada Martim de Sá, o caiçara Maneco e sua família recebem os visitantes no único camping disponível na praia, ou poderia dizer o seu quintal. Na praia nada de bebida alcoólica e se você levar a sua que traga o seu lixo de volta. É o que ressalta uma das muitas placas espalhadas pela praia.

O caiçara de cabeça branquinha já beira seus 80 anos, mas cuida do espaço com muito zelo. Socorrendo, é claro, todos os imprevistos dos viajantes que pousam por lá. De sorriso largo, é difícil vê-lo parado, a não ser para se esticar à tarde, na rede em frente ao mar.

A praia, que de urbana não tem nada, preserva mata nativa e exuberante em seu entorno. Uma joia da Costa Verde, com água cristalina, areia fininha, boas ondas e muita paz. Impossível não querer conhecer. A península isolada em Paraty só pode ser acessada de barco ou por trilha da praia de Pouso da Cajaíba (uma hora e meia) . Pelo mar a viagem é longa.

Saindo do Cais de Paraty são quase três horas até a praia. Quem não é do mar e enjoa, é importante ir munido de Dramin. Os barqueiros que fazem o trajeto costumam cobrar de R$ 50 a R$ 70 por pessoa, dependendo da época do ano. Há um estacionamento próximo e linhas de ônibus até a cidade.

A cada temporada o número de visitantes aumenta e o lugar vem se tornando ainda mais conhecido. Apesar do limite de pessoas imposto pelos fiscais da Reserva Ecológica da Joatinga, Seu Maneco afirma que nunca fecharia as portas para nenhum visitante que chegue à praia, uma vez que o espaço é para todos.

“O pessoal vai chegar aqui cansada com bagagem da trilha e encontrar o portão fechado, não pode”, conta o pescador. No camping não há fogão a gás, então se você não tiver seu próprio fogareiro é bom sair para procurar lenha. Há muitos utensílios comunitários e o compartilhamento de mantimentos.

Martim de Sá, Rio de Janeiro

A família caiçara organiza a entrada, cobra R$ 20 diários por visitante e prepara o almoço vendido a R$ 20 o prato feito (com opção de peixe frito irrecusável e um feijão carioquinha incrivelmente gostoso). A reserva faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Cairuçu, que inclui 63 ilhas. Próximo a Martim, é possível visitar a 10 minutos de barco a Praia da Sumaca, menor e ainda mais linda. Lá há venda de cerveja, só os preços que não são tão convidativos. Não saia de lá sem experimentar a porção de lula.

No lado direito de Martim de Sá fica, na minha opinião, sua parte mais linda. O encontro do rio com o mar, formando pequenas piscininhas, hora com água salgada, hora com água doce. Um lugar para passar o tempo e fazer nada com uma linda vista. Subindo ainda cerca de 30 minutos chega-se até um conjunto de quedas e piscinas represadas.

Mas nada comparado ao Poção, uma cachoeira com queda modesta, mas ótimo espaço para nadar, que tem acesso por uma trilha de uma hora a partir do camping. No caminho há quedas menores para ir se refrescando.

Martim de Sá, Rio de Janeiro

O espaço, é claro, constantemente é sondado por emissários de construtoras que tentam comprar o terreno na praia paradisíaca, para construir um resort. Mas Maneco não arreda o pé. Jamais aceitou as ofertas milionárias e possui todos os direitos que lhe são cabíveis por lei, como morador da área por mais de 50 anos.

Na parede de uma das casas fotos de manifestações de resistência ilustram o camping: “Martim para os caiçaras”, indicam as faixas entre militantes e pescadores. Enfim, um passeio imperdível tanto para conhecer a história da resistência caiçara, quanto as belezas naturais da praia, seja em alta, baixa, ou qualquer temporada. Mas sempre com consciência e respeito a cultura local.

Seu Maneco e nós, os viajantes

Gratidão a Martim, Seu Maneco e família.

O que levar?

  • Repelente (Muito importante)
  • Fogareiro
  • Lanterna
  • Protetor Solar
  • Guarda-sol (nem toda extensão da praia é arborizado. Há sombras, mas em feriados elas ficam muito concorridas é bom levar sua própria barraca).
  • Lona para a barraca
  • Água
  • Um bom livro
  • Frescobol

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