Road Trips pelo Brasil: Rio – Floripa

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Nem só de Rota 66 se fazem road trips. No ano passado eu e Daniel resolvemos conhecer Florianópolis. Esse já era um desejo antigo nosso, mas que sempre acabava sendo postergado, por conta dos altos preços de passagens aéreas do Rio para a capital catarinense.
Stand up paddle na Lagoa da Consceição, Florianópolis, Santa Catarina
Stand up paddle na Lagoa da Consceição

Em abril, no entanto, apareceram cinco dias de feriado prolongado e pelo menos para mim, isso significava uma obrigação em viajar para onde quer que fosse. Então, prancha em cima do carro, malas a postos, barraca e saco de dormir na mala (por garantia) e lá fomos nós. Só nós dois, no Clio duas portas, prata, velhinho de guerra, mas cheio de história.

Saímos 10 horas da manhã de Seropédica e pegamos a Rodovia Presidente Dutra. Essa primeira parte do caminho é especialmente bonita, passando pela Serra das Araras e os municípios do Sul do Estado. Chegando em São Paulo, como não seria surpresa, muuuito trânsito. Ficamos um bom tempo para sair da Marginal Tietê e depois parados em Osasco. Durante as horas no trânsito, pude observar como a cidade de São Saulo tem ciclovias. Aqui no Rio tenho a impressão que elas se resumem à orla, não se tornando uma opção real de transporte diário (ponto para SP).

Road-trip Rio de Janeiro Floripa

Em certos pontos, tínhamos a impressão que o Brasil inteiro estava em obra, duplicação de estradas, reforço de pontes, serras paradas, por isso acabamos demorando mais que o planejado. Eram mais de meia noite, quando finalmente chegamos no Paraná, o corpo já gritava de cansaço. Eu e o Dani já não aguentávamos mais revezar a direção, então paramos para tomar um café. Nada de expresso, café de máquina como os botequins da antiga. Nesse café, vimos que havia uma pousada no sobrado. O plano de continuar até Curitiba, no mesmo dia, foi pelo ralo, na busca por um colchão quentinho a poucos passos. Descansamos e retornamos nosso percurso no dia seguinte seguindo pela BR-116 até Curitiba e depois via Joinville para a BR-101.

A cidade das flores

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Chegando em SC, a primeira parada foi em Joinvile, a cidade mais fofa, florida e limpa que guardava na memória de infância. O município de tradição alemã e sede do Festival Internacional de Dança consegue ao mesmo tempo ser a cidade mais populosa e moderna de SC e ainda preservar suas áreas rurais e o estilo colonial com costumes e tradições.

Uma boa época para visitá-la é em novembro, quando acontece a Festa das Flores. Além disso, não deixe de ver o Museu da Imigração (Museu do Príncipe), da bicicleta e experimentar as delícias gastronômicas como cucas, geléias, queijos e defumados. Outra curiosidade e orgulho da cidade é a base do balé Bolshoi na cidade, a única fora da Rússia. Não é pouca coisa.

Seguindo na estrada, passamos pela entrada do Beto Carreiro World – passeio imperdível para quem está com crianças. Lembro que quando era pequena, o parque era o máximo, só não sei como está a conservação hoje. Depois passando por Bauneário de Camburiu, que também é uma região extremamente bonita da costa catarinense, até finalmente chegarmos à Floripa.

Ilha da Magia

Praia da Joaquina
Praia da Joaquina

Apesar de achar o nome um pouco brega, Floripa faz jus ao apelido de Ilha da Magia. O que não faltam são opções de lazer. Ao todo, são 42 praias oficiais, nas cinco regiões Norte, Central, Leste, Sul e Continental. Basta escolher qual faz mais o seu estilo. Além, é claro, das lagoas, dunas e montanhas. A capital é um templo dos esportes ideal para praticantes de kitesurf, stand up paddle, mergulho, surf, voo livre, sand-board e caiaque.

Praticamos stand up na Lagoa da Consceição que era bem perto do nosso hostel e o preço foi bastante justo (R$15 ou R$20 meia hora). Como não tínhamos prática, a lagoa foi perfeita para aprendermos. Ainda no mesmo dia, fomos praticar sand-board, uma espécie de surf nas enormes dunas da ilha. Daniel, surfista e fã de snowboard que é, se sentiu em casa. Eu quase perdi uma unha do pé. Mas, cair também faz parte da brincadeira.

Nos hospedamos próximo ao centrinho da Lagoa da Conceição, na região leste da ilha, e posso dizer que recomendo para outros viajantes. Floripa é uma cidade pouco friendly em questão de transporte público. Não há metrô e a maioria dos lugares é preciso ir de carro. Então, nesta área conseguiamos ir à restaurantes, pubs, bares, mercado e lojas à pé. Destaco o John Bull Pub que sempre traz bandas de rock e covers de bandas famosas e a pizzaria de forno à lenha próximo à ponte da Avenida das Rendeiras.

Nosso hostel foi um achado, muito limpo, familiar e com ótimo custo-benefício. O Vintage Hostel tinha pouco tempo de inauguração e nos recebeu super bem, clima aconchegante, bom café da manhã e funcionários sempre solicitos.

Praias

Floripa atende todas as tribos. Na região norte, Jurerê e Jurerê Internacional são a sensação de quem procura badalação 24 horas. Beach clubs, bares e boates preenchem o calendário de festas da cidade e atraem turistas o ano todo. É a área mais populosa na alta temporada e com boa infraestrutura. Outras praias também procuradas são os mares calmos de Daniela, Canasvieiras e Lagoinha. As ondas de Praia Brava e a comunidade de Santo Antônio de Lisboa com suas fortalezas.

Pachá Floripa em Jurerê Internacional, maior e melhor do que sua filial em Búzios no Rio de Janeiro
Pachá Floripa em Jurerê Internacional, maior e melhor do que sua filial em Búzios no Rio de Janeiro

A região sul preserva o clima açoriano da cidade, com boa oferta de trilhas fechadas e boas ondas. Destaque para a Ilha do Campeche, com águas cristalinas ideal para mergulhar. Essa é a única ilha do país tombada como Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional. Para chegar, a dica é ir de barco com pescadores que saem da Praia da Armação ou no verão, escunas partem da Barra da Lagoa.

A região leste, minha favorita, é uma das mais bonitas com dunas, morros, praias e a lagoa. Há boa oferta de casas para passar temporada e hotéis com um clima descolado, bastante diferente da região norte. Lá ficam as praias da Joaquina e Mole. Ideais para aturma do surf e extremamente preservadas. A Praia Mole então é praticamente selvagem, mas ainda assim com boa infraestrutura de quiosques e beach club.

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Já na região central é onde está boa parte da história. Além de diversidade de comércio e da Avenida Beira Mar Norte, a região guarda alguns dos principais atrativos históricos da cidade. Como a Ponte Hercílio Luz, primeira ligação entre a Ilha e o Continente e o cartão-postal mais famoso de Florianópolis.

Praia Mole, Florianópolis, Santa Catarina
Praia Mole, Florianópolis, Santa Catarina

No dia de voltar pra estrada e pegar o rumo de casa, conseguimos nos organizar melhor para pernoitar em Curitiba e curtir também a capital paranaense, o que fizemos por lá vocês podem ler no nos próximos posts.

Colocando na ponta do lápiz, foram cerca de 12 mil quilometros de distância, três tanques de combustível apenas para ir e dois tanques para voltar e um suspense básico por viajarmos pela Regis Bitencourt, conhecida como Rodovia da Morte. Financeiramente valeu a pena, em relação às passagens aéreas e é infinitamente mais confortável ter um carro à sua disposição para passear pela ilha. O percurso é muito bonito, então é preferível ir de dia. O único ponto negativo é o cansaço por dirigir distâncias tão longas.

Só de escrever esse roteiro e relembrar a viagem, já estou morrendo de saudade. Mas e você também ficou com vontade de conhecer Floripa? Comenta aqui e conta pra gente o que achou. Porque bom mesmo é dividir experiências =)

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