O Amanhã é agora: Roteiro Nova Praça Mauá e Rio Antigo

Logo na entrada um globo suspenso chama atenção, a iluminação de LED vai se alternando e nos lembra que tudo está em movimento (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Em meio ao caos de obras e muito trânsito, a cidade do Rio se reinventa, bem próximo de onde ela começou. Na região da Zona Portuária, a nova Praça Mauá transborda cultura e agitação dia e noite.

Após ficar fechada durante quatro anos para obras do Porto Maravilha, hoje ela concentra feiras, exposições, festas urbanas e ainda o endereço da maior e mais nova atração do Rio, o Museu do Amanhã. Isso tudo, lado a lado com lugares que permanecem no imaginário carioca há tempos e por sua essência mantêm viva a história dessa cidade. Um encontro do Rio Antigo com o futuro, que mesmo incerto, vem sempre com boas surpresas.

No fim de semana do Dia das Mães, aproveitei o sábado para conhecer o Museu do  Amanhã e apresentar o Museu de Arte Moderna (MAR) para minha mãe. Montamos um roteiro para fazer um combo de visitas em um mesmo dia e ainda almoçar em um cantinho delicioso de comida brasileira no Morro da Conceição, o Restaurante Imaculada.

Tanto nas bilheterias do Museu do Amanhã, quanto do MAR é possível comprar o Bilhete Único (R$ 16 inteira e R$ 8 meia-entrada) para conhecer os dois espaços com desconto. Uma dica valiosa é já sair de casa com seus ingressos comprados para evitar as longas filas na porta. Não é necessário nem imprimir, apenas apresentar o código de compra.

No Museu do Amanhã quase todo mundo paga meia-entrada. Basta ser morador da cidade e apresentar comprovante de residência, titulares de cartões Santander, servidores ou estudantes em geral. Pela TV, durante a inauguração, não consegui ter a dimensão do quão incrível são as instalações do espaço. Acho que ninguém, realmente só participando daquela experiência, com todos os seus sentidos bem apurados. Um simples tecido, elevado e rodopiando por meio do vento em uma sala escura com luz baixa se tornou hipnotizante. É a obra Fluxos, do artista Daniel Wurtzel, que representa os movimentos que permitem a vida na Terra. Impossível parar de olhar.

A obra Fluxos os movimentos que permitem a vida na Terra
A obra Fluxos os movimentos que permitem a vida na Terra

O conceito de interação é levado ao pé da letra, com tecnologia em todo lugar e telas interativas nas saídas dos cubos com informações complementares. Seis telões imensos contam, em três línguas, as transformações da terra ao longos dos últimos 50 anos – o chamado Antropoceno – e deixa a pergunta de que mundo queremos para os próximos anos.

De fato, um museu de ciências muito diferente, moderno e bem planejado desde a sua estrutura externa, construída de forma sustentável. A estrutura de aço tem painéis de captação de energia solar e acompanha o movimento do sol, os espelhos d’água no entorno compõem um sistema que capta água do mar para ser usada na refrigeração do prédio e depois devolve à Baía de Guanabara. Apenas senti falta de mais árvores no entorno da praça, com as longas filas, os visitantes acabam fritando junto ao asfalto antes de entrar.

Vista do MAR para a nova Praça Mauá
Vista do MAR para a nova Praça Mauá

Na saída fomos direto ao MAR, onde é necessário trocar o ingresso duplo na bilheteria (vai entender o motivo). Inaugurado em 2013, o MAR já virou figurinha fácil no cotidiano carioca, em parte, por hospedar mensalmente em seu quintal o evento MAR de Música, que atrai muitos trabalhadores do Centro e por sempre ter boas exposições. Lá uma gigantesca cobertura de cimento une dois prédios de estilos arquitetônicos bastante diferentes: o eclético Palacete Dom João VI e uma construção modernista, que originalmente funcionou como terminal rodoviário. Aos visitantes sugiro começar pelo terraço, que tem uma vista privilegiada para a Baía de Guanabara e, em seguida, percorrer os quatro andares do palacete, que abrigam exposições temporárias e obras do acervo permanente – como uma escultura de Aleijadinho. Todas às terças-feiras a entrada é gratuita e no último domingo de cada mês também.

Hora do almoço

Para fechar nosso dia de passeio, fomos almoçar em um cantinho um pouco escondido na Ladeira do João Homem, no Morro da Conceição, o Bar e Galeria Imaculada. O nome é uma homenagem à padroeira local, as paredes às artes – cada cantinho conta uma história da comunidade – e as mesas dedicadas aos petiscos e cerveja beem gelada! Como era sábado, dia de feijoada na casa, não tivemos dúvida do pedido. Delicioso e com um clima que só a Zona Portuária do Rio ainda tem.

Fim de semana da mães no Imaculada
Fim de semana da mães no Imaculada

Dicas: Use transporte público para chegar ao local, vá com roupas leves, tênis e leve água. Bom passeio!

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