Paraty, muito além do Centro Histórico

Poço dos Ingleses em Paraty

De lugar de passagem a destino final. Paraty não é uma cidade nova entre nossos roteiros, mas por incrível que pareça a cidade histórica ainda consegue surpreender com novas descobertas a cada viagem. Da gastronomia às paisagens naturais. O que não faltam são opções.
A cidade que tem programação o ano inteiro, durante o mês de maio, em especial, fica entupida de amantes do jazz. Tudo por conta do Bourbon Festival, que faz a felicidade de locais e visitantes trazendo grandes nomes nacionais e internacionais para compor a programação de três dias de apresentações em três palcos e duas tendas.
Nesse ano, pela primeira vez, consegui com alguns amigos alugar uma casa por lá, ao invés de camping ou pousadas no Centro Histórico. Fomos à direita do trevo de Paraty, o sentido oposto, sem saber ao certo o endereço. Conclusão, uma outra cidade bem mais rural aparece, é a Estrada Real Paraty-Cunha. Com casas charmosas (a nossa inclusive) e um clima de serra, a área é cercada por alambiques, cachoeiras, casas de farinha, fazendas históricas e o famoso Caminho do Ouro. Fazendo você não se arrepender de ficar um pouco mais distante do Centro.

Vista da casa para a Estrada Real Paraty-Cunha
Vista da casa para a Estrada Real Paraty-Cunha

O clima, principalmente nesta época do ano, é tão gostoso que todo passeio se torna irresistível. No percurso da estrada, logo após uma ponte, placas sinalizam os principais destinos. À esquerda a Cachoeira do Tobogã, onde rola um surf (leia-se esquibunda) na pedra e o Poço do Tarzan. À direita a Cachoeira da Pedra Branca, 7 quedas e o Poço dos Ingleses. Todas com acesso de carro e trilha leve. Visitamos o Poço dos Ingleses, que tem um bom espaço para nadar e cipós de onde os mais doidos se penduravam para mergulhar.

 

Vai uma cachacinha?

Alambique Paratiana
Balcão Alambique Paratiana

Saindo do Poço dos Ingleses, ainda na mesma estrada, paramos no Alambique Paratiana, um dos mais premiados do parque industrial da cachaça no município e com enorme variedade de sabores. Cachaças armazenadas e envelhecidas em tonéis de carvalho, amendoim, umburana a jequitibá. Entre muitas provinhas e bate-papo no balcão, fico sabendo que o nome do alambique é não só regionalismo, mas também uma declaração de amor para a esposa do proprietário chamada Ana <3. O local existe há 17 anos e passa por reformas, para abrigar o Museu da Cachaça. O primeiro da região. A inauguração está prevista para agosto, quando acontece o Festival da Pinga. Nada mal, para um papinho despretensioso. Minha mais recente fonte, Marjhorie Lima, nos ensinou ainda a maneira correta de degustar a caninha: “Depois de sentir o aroma, beba de boca fechada”. A vendedora explicou que, se a pessoa abre a boca em seguida, para puxar o ar, a ardência é maior na garganta. E não é que deu certo?! Mesmo as branquinhas, com gosto mais marcante, consegui apreciar tranquilamente.

Sabor cheio de tradição

Restaurante do Quilombo
Com entrada pela Rodovia Rio-Santos, é fácil encontrar o Restaurante do Quilombo

Estava tudo muito bom, mas a hora de partir sempre chega. Voltamos a casa, arrumamos nossas coisas e antes de ir embora decidimos almoçar em um lugar diferente. O Restaurante do Quilombo, 10 km à frente no sentido São Paulo. O maior motivo foi à curiosidade de conhecer um estabelecimento que mantém a cultura quilombola viva, oferecendo comidas tradicionais e criado pelas negras matriarcas, a partir de uma gestão comunitária. Alguns conhecidos já tinham nos indicado o lugar e o acesso é bem fácil pela Rodovia Rio-Santos, com bastante placas sinalizando. O restaurante fica dentro do Quilombo Campinho da Independência e o carro-chefe é o Peixe à Moda Quilombola, fazendo o espaço lotar na hora do almoço. O prato para duas pessoas serve muito bem, contando com peixe grelhado, acompanhado de palmito na manteiga, farofa de banana da terra com camarão e arroz branco (hummmm!). Não tivemos nem dificuldade em escolher. Tudo uma delícia e com preço justo.

Em novembro, ainda acontece no espaço o Encontro da Cultura Negra – Juventude Ativa, Comunidade Viva! Em comemoração ao Dia da Consciência Negra. Mais uma chance para ir conhecer o lugar, conversar com a comunidade e aprender sobre a cultura quilombola. Acompanhe a programação no blog oficial.

Peixe à Moda Quilombola
Peixe à Moda Quilombola

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