O que vi e vivi em Nova Orleans

Foto: jetblue.com new orleans

Não é nem um pouco exagero quando ouvimos falar sobre a hospitalidade, boa comida e cultura musical de Nova Orleans. Ou Nola na abreviação. A cidade de estilo francês e muita influência creole* vibra dia e noite. O astral de cidade pequena torna a capital do jazz, no sul dos Estados Unidos, ainda mais aconchegante e com certeza um dos melhores destinos na América.

Impossível não se apaixonar <3

Minhas novas experiências começaram pela gastronomia experimentei iscas de jacaré à milanesa, o famoso jambalaya (prato a base de camarão, linguiça e arroz, preparado ao estilo da paella espanhola), os beignets do Café du Monde e os típicos sanduíches Po-Boy, feitos com frutos do mar empanados. Come-se muito bem em Nova Orleans, então se a cidade não te conquistar pelo ouvido, vai te pegar pela barriga. Eu que vinha de Nova York, me espantei bastante com a quantidade de lugares gratuitos e com boa música. É possível fazer uma viagem bacana, gastando bem pouco 🙂

Streetcar, New Orleans

O que fazer em Nola?

A cidade é bem pequena, então em três dias inteiros dá para ter uma visão geral dos principais points. Comece seu dia passando em um dos Centros de Visitantes para pegar seu mapa e desbravá-la. Mas se quiser se aventurar também nas cidades próximas, para passear nas fazendas (plantations) ou observar jacarés nos pântanos (swamp), reserve mais alguns dias. Em resumo, o que você precisa conhecer:

  • French Quarter – O bairro francês concentra a parte mais famosa da cidade. Lá estão o French Market – Mercado de artesanato, e comida localizado na Decatur St; a Bourbon Street – Rua de bares, restaurantes e casas com música ao vivo. Essa, por ser a mais famosa, também é muito turística e muitas vezes os próprios locais evitam pela confusão. Lá, um lugar muito legal para os fãs de originais do jazz é o Irvin Mayfield’s Jazz Playhouse, no Royal Sonesta Hotel. O bar do hotel é uma das casas mais clássicas da cidade, apresentando músicos de alto nível e entrada gratuita. O hotel ainda reserva um jardim aberto super charmoso, para visitar entre as apresentações. Outro lugar, um pouco mais descontraído é o Fritzel’s European Jazz, ainda na Bourbon. Pequeno e intimista, foi um opção bem animada; Frenchmen Street – essa é a rua de bares e restaurantes dos locais. Um pouco menos lotada que a Bourbon, a Frenchmen não perde em qualidade com casas de música ao vivo em toda extensão. Todas abertas, gratuitas e oferecendo diferentes estilos musicais. Lá, ainda visitei o Frenchmen Art Market, feira aberta com exposição de quadros e produtos locais.

    Fritzel`s European Jazz.
    Fritzel’s European Jazz
  • Mardi Gras World – Esse é o galpão onde o carnaval de Nova Orleans (Mardi Gras) é construído. O barracão é aberto para visitação o ano todo, custa cerca de $20 e dá para comprar pelo site. Então se você não estiver na cidade em fevereiro, ainda sim dá para curtir um pouquinho.
  • Passeio pelo Mississipi – Logo ao lado do French Quarter há um calçadão com vista para o Rio Mississipi. Basta cruzar a linha do trem, é bacana para passear a pé ou pegar um dos catamarãs que dão a volta no rio, com refeição e música ao vivo, de dia ou de noite.
  • Tour Fantasma – Muito antes de chegar a New Orleans, já tinha ouvido falar sobre a relação da cidade com a morte. A cultura de caveiras e cores é bem difundida em souvenirs, pinturas e existem tours que podem ser feitos pelos cemitérios. Normal para um povo que realiza uma verdadeira celebração em funerais. Sabia dessa? Quando falece alguém, nada de lágrimas. O cortejo é feito com trompetes, trombones, sombrinhas coloridas e alegria no chamado Jazz Funeral.
  • Corredor dos Museus – No Arts District estão diversos ateliês, cafés e o Museu da Guerra Civil da Louisiana, o Museu Ogden de Arte do Sul, o Centro de Artes Contemporâneas e o Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial.
  • Garden District – O bairro é uma área mais residencial, apresentando o charme da arquitetura local nas casas.
  • Magazine St. – Pela Magazine, descobri que Nova Orleans também é cheia de estilo. A longa avenida que conecta o French Quarter ao Garden District e Uptown tem várias lojas de roupas, cada uma mais estilosa que a outra. Vale a pena reservar um budget para as compras por lá. Tem muita coisa bonita e diferente, bem característico da cidade. Ainda na Magazine você vai encontrar cafés, bares, sorveterias e restaurantes.

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    Audobon Park, em Uptown
  • Audobon Park – No final da Magazine, já no bairro de Uptown, você chega ao Audobon Park. O parque é a principal área verde da cidade e um refúgio de calmaria em meio a agitação. Ótimo para praticar exercícios, aproveitar o dia ou fazer um piquenique. O espaço tem zoológico, restaurante, um lago cheio de patinhos e quadra de tênis

Audobon Park, Nova Orleans

Como chegar e como se locomover?

Todos esses passeios que citei acima, eu fiz de bicicleta ou transporte público. Lá, há vários lugares para alugar bikes, inclusive alguns passeios guiados com bicicletas iluminadas. Diversão à parte né?! Muita gente fala que Nova Orleans não é feita para carros, mas sim bicicletas. Você pode prender sua bike em qualquer lugar, só siga as leis e direções do trânsito para evitar acidentes. Mas se a canseira bater, tem os bondinhos, chamados de streetcars. Cada viagem custa US$ 1,25 ou você pode optar por um passe ilimitado para 1, 3 ou 5 dias, que custam respectivamente, US$5, US$12 e US$20. Apesar de bonitinhos, os streetcars são um pouco devagar, então as linhas regulares de ônibus também são uma opção. Quando estive no Audobon Park, eu fui de bike pela Magazine e na volta, já morta, voltei de ônibus, que por acaso tem um espaço reservado na frente para colocar as bicicletas 🙂

Faça tudo de bicicleta

Dica: Os ônibus são baratos, mas não dão troco. Apenas um recibo com crédito para a próxima viagem, então é bom ter o dinheiro contado.

O Aeroporto Internacional Louis Armstrong é o principal local de chegada à New Orleans, de lá você pode chegar à região central de:

  • Táxi ou Uber – em média US$ 30;
  • Airport Shuttle – US$ 24,00 por pessoa (one-way) ou US$ 44,00 por pessoa (ida e volta) www.airportshuttleneworleans.com
  • Ônibus – Do aeroporto saem linhas de ônibus comuns, que custam entre US$ 2 a 5.

Onde comer em Nova Orleans?

Acredito que a quantidade de restaurantes legais na cidade não tem fim. A gastronomia de Nova Orleans é uma boa mistura de culinária francesa, espanhola e africana, a partir de duas correntes: a Creóle e a Cajun. Destaco dois lugares legais para conhecer, o restante deixo para vocês desbravarem.

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Comece o dia tomando café da manhã no Café du Monde. Aberto 24 horas, a casa serve os famosos beignets – original da Louisiana, são uma espécie de bolinho de chuva de massa levinha, coberto com açúcar de confeiteiro – e cafe au lait ($6 ao todo)O café leva chicória, que é misturado ao pó, em uma fórmula exclusiva, para que ele dure mais tempo. No atendimento é preciso ter paciência, você não está na correria de um grande centro. Relaxe aprecie a cidade, que seu garçom já vem. O apelido da cidade de Big Easy não seria à toa né?!

Restaurante Pêche

Na Magazine St, próximo à região central, comi um dos melhores peixes da vida no Restaurante Pêche. Na hora do almoço, o cardápio sai um pouco mais em conta e o atendimento, dessa vez, foi incrível. Super atenciosa, a garçonete me perguntou o que eu gostava e deu várias dicas. Comi uma salada de atum cru, com muitos temperos de entrada e crab capellini uma massa muito fina, com pedacinhos de crustáceo (huummm).

Curiosidades

  • Há um ritual, que se originou no Mardi Gras, mas que continua o ano todo, é a troca de colares de conta. Feitos de miçangas coloridas, eles são jogados das sacadas dos antigos casarões para os pedestres na rua. É só levantar a mão, sem precisar mostrar nada, que vários serão jogados na sua direção, principalmente na Bourbon Street.
  • A programação musical em Nola é de segunda a segunda e no guia oficial há mais sugestões separadas por dias da semana sobre o que fazer, além do calendário anual de festivais! Boa viagem!

* Créole se refere aos imigrantes brancos e negros que vieram para a Luisiana, das colônias francesas nas Antilhas, a Martinica e o Haiti, e aos índios e brancos nativos que sofreram sua influência.

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