Ilha de Boipeba: O paraíso flutuante na Costa do Dendê

Por Caroline Ribeiro*

Vizinha à Ilha de Tinharé, a Ilha de Boipeba fica no município de Cairu, na chamada Costa do Dendê, na Bahia. Lá, o tempo não tem pressa e o trânsito é no mar. A única preocupação possível é se a maré vai estar alta ou baixa.

Boipeba é o destino de quem quer sossego. Aqueles que procuram agito podem seguir viagem até a vizinha turística Morro de São Paulo. Muitas agências oferecem o passeio da volta à ilha de barco, mas eu preferi botar os pés na areia e fazer valer os quilômetros andados.

Praia da Boca da Barra é o cartão de visita de Boipeba, onde chegam as lanchas. Ela fica no encontro do mar com Rio do Inferno e é uma das mais próximas do pequeno e aconchegante centrinho da Velha Boipeba. A Boca da Barra é o point do pôr do sol da Ilha. No horizonte, o céu toca o mar e os tons do entardecer se misturam em aquarela até a noite chegar. Apreciar esse espetáculo diário nos Mirante Quebra-Cu e da Caixa D’água também tem seu valor.

Depois da Boca da Barra vem as praias de Tassimirim e Cueira. É possível chegar nessas duas por um caminho ~ que chamam de trilha ~ que parte do final de Boca da Barra. As duas praias são cercadas por coqueirais e na maré baixa formam-se piscinas naturais em Tassimirim.

A próxima praia é a paradisíaca Moreré, que fica separada da pequena Cueira pelo rio Aritibe. Moreré foi a minha queridinha, mesmo sem ter mergulhado com os peixinhos nos corais. É possível chegar pela trilha, seguindo a pé pela beira-mar, por cerca de duas horas, ou alugando um trator saindo da Velha Boipeba.

Na deserta Bainema o mergulho é em águas mais agitadas. De Boca da Barra,foram 14 km andando. Atravessando o Rio Catu, está a Ponta dos Castelhanos, onde fui muito bem acolhida na Barraca do Pirata e experimentei o melhor drink de frutas da região. Nesse dia estava de barco e, em alto mar, fui presenteada com a vista submersa do “Madre de Dios“, um navio espanhol que naufragou naquelas águas no século XVII.

A última praia da ponta da Ilha é Cova da Onça, que fica no povoado de São Sebastião. Sem dúvidas, o lugar mais autêntico e com menos influência do turismo da Ilha. A praia ali tem a água mais escura devido ao manguezal e a areia é praticamente lama. É um pequeno vilarejo que exala a simplicidade do povo baiano e toda a rusticidade de Boipeba.

A dinâmica transformadora do manguezal deixa a gente de queixo caído. Tive o prazer de navegar por ali em um passeio noturno. Com certeza, uma das experiências mais hipnotizantes dessa viagem. É possível também praticar caiaque e stand up paddle no mangue.

O trajeto mais econômico pra chegar em Boipeba e que, obviamente, foi feito por mim, começa em Salvador. Do aeroporto da capital baiana fui até o Terminal Marítimo e embarquei no ferry boat até Bom Despacho. De lá, peguei um ônibus até Valença e, finalmente, a lancha rápida até a ilha. Não deixe pra descer na rodoviária, ponto final desse último ônibus. Tente desembarcar em um ponto mais próximo ao cais de Valença e assim você não vai ter que andar até o cais ou pegar um táxi.

*Caroline Ribeiro é jornalista por formação, assessora de imprensa por profissão e viajante como única opção. Ela colabora com o Nat no Mundo semestralmente 🙂 

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